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Como Chegar à Nossa Loja



Nossa loja possui destaque hoje no mercado por diversos fatores, sendo alguns deles o "mix" de produtos e o atendimento. Um dos "segredos" de nosso atendimento é justamente nossa localização, que faz com que possamos nos dedicar integralmente aos clientes que vêm à nossa loja. 

Como estamos localizados em um prédio comercial, nem sempre os clientes tem facilidade de nos encontrar, seja pela falta de informações a respeito do prédio onde estamos ou da confusão causada pela casa de shows que copiou o nome de nossa empresa. 

Pensando nisso resolvemos fazer um post definitivo com o máximo de infrormações a respeito de como chegar em nossa loja.

:: ENDEREÇO ::

Av.das Américas, Nº 4790, Sala 627
Centro Profissional do Barrashopping - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ
Veja aqui no Google Maps

:: REFERÊNCIAS  ::

O prédio onde estamos localizados (Centro Profissional do Barrashopping) fica localizado exatamente entre o New York City Center e o Barrashopping, como é possível verificar na imagem abaixo.







http://farm8.staticflickr.com/7333/11086163143_327cc03476_o.jpg

A melhor referência visual de nosso prédio é a agência do banco Itaú, logo no térreo. 
 
As linhas verdes representam a Av. das Américas no sentido Recreio, enquanto as linhas vermelhas representam a mesma Avenida no sentido Zona Sul.

Clique aqui e veja uma animação com os pontos de referência

 ::  DE CARRO ::

Caso você venha de carro, lembramos primeiramente que a melhor opção é estacionar diretamente no estacionamento de nosso prédio. O valor é basicamente o mesmo do Shopping e você terá maior conforto. 

Caso queira, também é possível estacionar seu carro no estacionamento do Barra Shopping e acessar nosso prédio por uma pequena passagem, entre o estacionamento e nosso prédio. Esta passagem fica na parte de trás de nosso prédio, com acesso à parte do estacionamento do Barrashopping próximo à saída da loja Renner. Uma outra saídado Barrashopping que lhe colocará próximo à passagem ao nosso prédio, é no corredor de ligação entre o Barrashopping e o New York City Center.

Uma observação muito importante é que nosso prédio não possui comunicação com o New York, mas somente com o Barrashopping.

::  DE ÔNIBUS ::

Ficamos localizados em um ponto bem central da Barra da Tijuca, bem próximos à Alvorada e ao lado do Barrashopping. Estes dois pontos recebem quase todos os ônibus que chegam à região. Caso seu ônibus tenha a Alvorada como ponto final, se informe se ele não passa antes pelo Barrashopping, que é o mais comum. Se sim, prefira sempre descer no ponto do Barrashopping, e ande alguns metros em direção ao New York City Center. Em poucos minutos você chegará.

Se por algum motivo você parar no ponto do outro lado da Avenida das Américas, em frente ao posto Shell, basta você atravessar no sinal ou na passagem subterrânea, e logo também estará em nosso prédio.

::  CONSIDERAÇÕES FINAIS ::

Se mesmo assim houver dúvidas e dificuldades para nos encontra, não hesite em entrar em contato, seja por telefone ou email que daremos o suporte. Tenha certeza também de que todo esforço é recompensado com o atendimento que você merece, instrumentos de excelente qualidade guardados da maneira correta, além de nossos diferenciais com a regulagem oferecida a todos os instrumentos de cordas vendidos em nossa loja. Será um prazer recebê-lo.

Telefones: (21) 3325-2881 | 3328-3031
e-mail: vendas@barramusic.com.br
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HISTÓRIA DA FENDER - CAPÍTULO 1

O NASCIMENTO DA FENDER

Muitas histórias da Fender escritas da perspectiva da guitarra elétrica começam com o nascimento do modelo telecaster (originalmente chamada Esquire, depois Broadcaster) em 1950 e 1951, mas as raízes da empresa na indústria de instrumentos musicais começaram alguns anos antes disso.


Leo Fender abriu uma loja de discos e de conserto de rádios em 1939 na cidade de Fullerton, distrito de Los Angeles onde ele rapidamente adquiriu uma clientela devota entre os músicos locais nesta crescente cidade da Califórnia.


A Foto acima mostra a loja Elingson que atualmente ocupa o espaço que um dia já foi usado por Leo Fender para montar a sua loja de conserto de rádios e que foi o seu primeiro empreendimento. Recentemente a prefeitura de Fullerton na Califórnia tombou o endereço como patrimônio histórico da cidade.

De Volta aos anos 40, não demorou muito para Leo começar a alugar equipamentos de PA e a fazer consertos em instrumentos e, eventualmente, construir amplificadores e guitarras de colo ele mesmo.

Em 1945, Fender se juntou com o músico local Doc Kauffman para  montar a companhia K&F (Kauffman & Fender) para produzir uma linha limitada de  guitarras tipo lap-steel e amplificadores. Essa empreitada não durou muito tempo, depois da saída de Kauffman em 1946 Leo Fender montou uma nova empresa chamada Fender Manufacturing que foi renomeada como Fender Electric Instrument Company no ano seguinte.


Na época, os “astros” da guitarra eram os guitarristas de lap-steel . Fender servia tanto a artistas do country como do western swing do sul da Califórnia naquela época. Os guitarristas de Steel continuaram sendo o principal público-alvo da Fender nos primeiros anos mas este capítulo é normalmente esquecido na maioria das discussões sobre a história da Fender.


Para quem não está familiarizado com o que é uma guitarra lap steel a foto acima mostra muito bem, é um tipo de guitarra que se toca sentado com o instrumento apoiado no colo e se utilizando um slide de dedo. Alguns músicos modernos como Ben Harper e Jack Johnson resgataram o lap steel em algumas de suas músicas nestes anos 2000.

Acima o projeto de um lap steel fabricado pela fender de meados de 1944

E foi a partir de 1946 que Leo Fender começou a desenhar a revolução que viria a ser o modelo telecaster e que foi o primeiro passo para colocar o seu nome na história da música e que falaremos mais no  próximo capítulo.

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GIBSON LES PAUL SLASH SIGNATURE ROSSO CORSA


Agora é oficial ! a Gibson anunciou o lançamento da nova guitarra signature do Slash. A "Rosso Corsa" já vinha sendo usada pelo guitarrista em testes que ele estava fazendo durante a turnê. Inclusive nos shows que fez aqui no Brasil no ano passado Slash usou um protótipo da nova guitarra. Pegamos as especificações no site da Gibson para matar a "fome" da galera !!


GIBSON LES PAUL SLASH SIGNATURE ROSSO CORSA

A Les Paul Rosso Corsa Slash Signature  mistura características atemporais com modificações aprovadas por Slash num novo e lindo acabamento da Gibson USA: Rosso Corsa ou “vermelho de corrida”. Esse acabamento luxuoso em um vermelho vivo e transparente feito com resina de nitrocelulose pintada a mão com spray mostra o lindo tampo em flamed maple grau AAA enquanto também deixa a madeira respirar para ressaltar o timbre rico, profundo e ressonante.
Os detalhes comemorativos incluem o logo do Slash no headstock que também está colocado no case preto. Um par de captadores humbucker Seymour Duncan Slash Signature, uma ponte tune-o-matic e stop bar tailpiece da Tone pros, além de toda a qualidade de construção da Gibson.

CORPO E BRAÇO
A Gibson Slash Signature Rosso Corsa é construída com a mesma junção de tradicionais matérias-primas que ajudaram a Les Paul se tornar lendária desde que surgiu à seis décadas atrás.  Um tampo arqueado e sólido em maple figurado grau AAA trás articulação e ataque para o som enquanto os fundos em mogno slecionado tratado com o tradicional processo de alívio de peso da Gibson parar aumentar o conforto e melhorar a ressonância contribuem para um timbre quente e com uma profundidade suberba. Um braço em mogno sólido cortado no estilo quarter-sawn é colado e esculpido com o perfil SlimTaper dos anos 60 que é o preferido do Slash e concluído com uma escala em rosewood grau A com 22 trastes médios jumbo e marcações trapezoidais tradicionais. Tanto o corpo como a escala tem um lindo binding creme que completa o visual e para ressaltar a beleza deste novo acabamento Rosso Corsa, a guitarra não tem pickguard.


CAPTADORES E ELETRÔNICA
Slash – quando se trata de captadores – sempre esteve junto com a seymour Duncan para produzir os humbuckers Slash Signature sob suas especificações precisas. Estes captadores são feitos baseados nos lendários captadores Gibson PAF humbuckers do final dos anos 50 com magnetos genuínos de Alnico II, mas com com algumas voltas extras de fio para conseguir um som mais rico e ressonante na posição do braço e bastante distorção e ataque na ponte. Eles são ligados da forma tradicional com quatro knobs de controle com uma chave seletora de 3 posições.


HARDWARE
A high-quality TonePros™ set including a Tune-o-matic bridge and lightweight stopbar tailpiece ensure solid sustain and precise intonation, while a set of vintage-style tuners retains a traditional look at the headstock. Strap locks ensure that your Slash Signature Rosso Corsa Les Paul stays secure throughout the most rockin’ performance you can throw at it.

Um conjunto Tonepros de alta qualidade incluindo uma ponte Tune-o-matic e uma peça de stopbar de metal leve garantem um sustain sólido e uma entonação precisa, enquanto um conjunto de tarraxas de estilo vintage trazem um visual clássico para o headstock. Strap locks garantem que a sua Les Paul Slash Signature Rosso Corsa vai permanecer segura durante toda a sua performance.


Aproveitando o lançamento da Rosso Corsa é legal relembrar um pouquinho do longo relacionamento do Slash com a Gibson e dos vários modelos signature e de edições limitadas que foram lançados ao longo dos anos numa parceria do guitarrista com a Gibson e também com a Epiphone. A foto abaixo mostra alguns desses modelos. 


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A HISTÓRIA DA IBANEZ - CAPÍTULO 2




Foi por volta de 1976 que o jovem músico de jazz Gorge Benson que já estava usando uma Ibanez cópia de uma Gibson L5 nos seus shows foi abordado pelos executivos da Hoshino a fim de criar o primeiro modelo signature da marca e que quando ficou pronto cerca de um ano mais tarde logo se tornou um clássico, a Ibanez GB10 George Benson !


Um outro modelo signature foi lançado em 1978 que levou os fãs de rock à loucura a Paul Stanley PS10 signature. Paul Stanley do Kiss já estava usando o modelo Iceman à um tempo mas ele estava querendo uma Iceman com a junção do braço no 17º traste ao invés do 16º pois acreditava que tornaria a guitarra mais confortável para ele, e como nada que venha do KISS é simples, Paul Stanley queria também uma guitarra que tivesse um acabamento tipo um espelho quebrado, como se alguém tivesse acertado o tampo bem no meio dos captadores. 




A Ibanez aceitou o desafio e as duas guitarras foram um grande sucesso. Esta guitarra espelhada é reverenciada até hoje e existem algumas oficinas de luthieria que se especializaram em reproduzir o acabamento de espelhos da PS10. Um outro modelo signature desenvolvido nos 70 foi o modelo do guitarrista Joe Pass.

No começo dos anos 80 a Ibanez passou por um período difícil, a figura do guitar hero estava sumindo e os teclados e sintetizadores estavam dominando as paradas. Os expoentes da época que restavam como Eddie Van Halen e as bandas de heavy metal estavam buscando guitarras exóticas como a Charvel e a Jackson e a desvalorização do dólar fez com que os instrumentos importados ficassem mais caros.


A Ibanez respondeu a essa crise relançando modelos exóticos como a Destroyer, sob o nome de Destroyer II, mas logo iria mudar a estratégia quando percebeu que os Estados unidos começaram a viver uma onda de nostalgia pela Stratocaster que foi chamada "StratMania". Num movimento repentino as pessoas começaram a se interessar novamente pela Strato, buscando os modelos vintage e também (inspirados por Eddie Van Halen) modificando antigas stratos para adicionar um captador humbucker na ponte. A idéia da SuperStrato estava criada.

Ibanez Destroyer II

A Ibanez lançou o modelo Roadstar II que tinha o seu design similar ao de uma stratocaster mas contava com um captador humbucker na ponte, o que conhecemos hoje como HSS, outras variações deste modelo também foram produzidas como guitarras com 02 humbuckers e outras que possuíam apenas 01 humbucker na posição da ponte. Outras inovações e mudanças constantes nas ferragens levaram a Ibanez a desenvolver a ponte Edge que é um sucesso até hoje.


Os baixos da série Roadstar II também fizeram sucesso e era cada vez mais comum ver músicos de diferentes bandas usando um instrumento Ibanez. Outros instrumentos signature surgiram a partir da série Roadstar como a guitarra de Steve Lukather da banda Toto e do guitarrista de jazz-fusion Allan Holdsworth.

A Ibanez parecia que estava se estabelecendo no mercado porém mesmo assim o meio dos anos 80 não foram tempos fáceis, muita coisa estava dando errado, o setor de eletrônicos e efeitos da Ibanez foi "por água abaixo" e o relativo sucesso das guitarras com os músicos do heavy metal não estava sendo suficiente para manter a empresa funcionando bem, o que literalmente "salvava" a Hoshino Gakki eram as baterias TAMA que estavam crescendo em larga escala.


Em 1985 a série Roadstar começou a se transformar no que conhecemos hoje como a RG, a idéia da configuração HSS se solidificou e mais guitarras passaram a ter esta configuração de captadores, outros lançamentos como a série Axstar também seguraram as pontas. Em 1987 foi lançada a Sabre que depois ficou conhecida como série S e que existe até hoje.

No meio da crise o presidente na época Joe Hoshino tomou uma das maiores decisões na história da Ibanez: a de mudar o conceito da marca de uma guitarra de preço para uma guitarra de prestígio, uma marca de desejo para os músicos. Para isso eles iriam precisar de um projeto forte, uma pessoa de personalidade que seria uma espécie de "Mr. Ibanez". O escolhido foi um jovem guitarrista que estava assombrando o mundo com a sua habilidade e que a Ibanez iria fazer de tudo para que ele se juntasse ao time. Esse guitarrista era Steve Vai !


Segundo o que o próprio Steve Vai conta em diversas entrevistas foi em 1985 que David Lee Roth saiu do Van Halen e montou o seu projeto solo com uma banda que até hoje é considerada um super grupo. Além de Steve Vai na guitarra a banda contava com o baixista Billy Sheehan e o baterista Greg Bissonette. A partir deste momento os olhos do mundo da música estavam em Steve Vai e os olhos de todos de todos os fabricantes estavam na guitarra que ele usava.

Billy Sheehan, David Lee Roth, Steve Vai e Greg Bissonette


Várias empresas mandaram diversas guitarras para que Steve experimentasse (incluindo a Ibanez) mas ele não estava interessado, Steve estava procurando uma guitarra para chamar de sua. Depois de uma certa insistência da indústria guitarrística Steve resolveu desenhar uma guitarra com diversas especificações que ele vinha buscando nas suas experiências e mandar para diferentes empresas produzirem protótipos.

A Ibanez foi a empresa que foi mais rápida para enviar um protótipo (apenas 04 semanas) e segundo Steve Vai foi também a empresa que fez o melhor protótipo. Naquele momento o músico decidiu que seria a Ibanez a empresa que iria construir a guitarra dos seus sonhos.

A construção da JEM foi um grande desafio pois era um instrumento que incluía uma grande quantidade de detalhes de construção não só que a Ibanez nunca tinha feito antes e que tinham muita chance de dar errado. 


Basswood

Steve Vai escolheu usar Basswood como a madeira para o corpo o que não era nada comum na época, os fornecedores de madeira até zombaram dizendo que a Ibanez ia construir uma guitarra de brinquedo pois Basswood não era uma madeira para se fazer instrumentos mas Steve Vai sabia o que estava fazendo e foi muito específico quanto ao tipo de Basswood usar uma vez que esta madeira é muito estável e a idéia de Vai era que ele pudesse ir a qualquer loja de guitarra do mundo, pegar uma JEM e a guitarra tivesse a consistência e o som que ele estivesse procurando.

A incrível especificidade do projeto assustou a fábrica japonesa da Ibanez pois eles acreditavam que estava tudo bem em ir fundo nos detalhes para fazer uma guitarra única e especial para Steve Vai mas como reproduzir essa mesma qualidade e apreço nos detalhes uma vez que a guitarra entrasse em produção de massa ? Eles tiveram que encarar esse desafio e conseguiram superá-lo com louvor !


O projeto da JEM foi mantido em absoluto segredo assim como o contrato de endorser assinado com Steve Vai. A revelação da JEM na feira NAMM showw de 1987 foi coberta de mistério, o display que revelaria a guitarra ficou tampado e vigiado o tempo todo por um segurança até o momento da revelação. A JEM foi o grande ponto da virada para a Ibanez que passou finalmente a ser reconhecida como uma marca grande e inovadora, mas a JEM não era o único trunfo, a série S, a nova RG550 e os baixos da série SDGR (Soundgear) fizeram não só impressionar a indústria musical mas também com que os lojistas apostassem na Ibanez com grandes pedidos.

Cartaz de lançamento da JEM em 1987

A história engraçada de depois do lançamento da JEM é que nas turnês de David Lee Roth, Steve Vai continuava usando a sua antiga Charvel apesar de já ter algumas Ibanez prontas para uso no camarim. Steve conta no livro "Ibanez The Untold Story" que ele estava receoso de se livrar da sua antiga guitarra companheira de tantos anos até que o inesperado aconteceu, ele estava prestes a entrar no palco para o maior show da turnê até aquele momento, o estádio do Madison Square Garden em Nova York completamente lotado, vai estava super nervoso no camarim se aquecendo com sua Charvel até que numa brincadeira louca com a alavanca ele arrancou várias cordas da guitarra e não só isso, puxou tão forte que um pedaço da madeira saiu. Ele entrou em pânico a Charvel não poderia ser consertada a tempo e ele teria que usar a Ibanez, assim foi feito e depois desse dia ele nunca mais usou outra guitarra....

A partir daí as coisas aconteceram muito rápido, vários outros artistas se juntaram ao time de endorsees como Joe Satriani e Paul Gilbert e outras novidades vinham por aí, entre 1987 e 1989 a Ibanez seguiu a tendência do mercado e começou a produzir guitarras na Coréia e num movimento contrário abriu também uma linha de guitarras fabricadas nos Estados Unidos enquanto ainda mantinha a produção dos modelos Prestige no Japão.

Joe Satriani
 
Paul Gilbert

Em 1989 uma outra parceria entre a Ibanez e Steve Vai deu ao mundo a Universe, uma guitarra de 7 cordas que adicionava um corda B (Si) mais grave com captadores e ferragens construídos especificamente para ela. Apesar de não ter feito tanto sucesso na época, a Universe abriu um precedente e várias outras empresas começaram a fazer guitarras 7 cordas, isto teve uma grande influência na música do final dos anos 90 com bandas como Limp Biskit e Korn.

No começo dos anos 90 a Ibanez voltou a investir na sua área de eletrônicos e lançou a série de pedais Soundtank. A ideia era fazer uma linha de pedais resistente e super baratos.


Mas a Ibanez ainda passaria por mais uma turbulência, o grunge. No começo dos anos 90 a música se simplificou e as guitarras coloridas e calças de couro que eram amadas nos anos 80 passaram a ser objeto de desprezo. Inspirada por Kurt Cobain, a moda agora eram guitarras vintage, simples e tradicionais, ou seja, guitarras bem diferentes de todas as que a Ibanez produzia.


Diante deste mercado “alternativo” e turbulento a Ibanez só tinha 03 opções: se juntar a moda, combatê-la ou tentar dar uma volta e contornar tudo o que estava acontecendo. A estratégia foi fazer um pouco dos três.

Por um lado a ibanez continuou a viver como se nunca tivesse havido um Nirvana, os modelos RG, S e a JEM continuaram sendo produzidos e lançados continuamente no mercado, por outro buscou criar designs inovadores para aderir a moda do rock alternativo. Duas criações de grande sucesso da Ibanez neste período foram a guitarra Talman e o baixo ATK que foram bem aceitos entre as bandas punk do começo dos anos 90 como o Offspring.

A Ibanez Talman em uma das suas diferentes versões

Baixo Ibanez ATK

No final dos anos 90 com a explosão do new Metal de bandas como Korn e Limp Biskit a guitarra de sete cordas virou definitivamente uma febre. Enquanto as outras marcas estavam correndo para desenvolver modelos de sete cordas e adquirir a experiência necessária para construí-los a Ibanez, tendo já a bagagem de ter lançado a Universe de Steve Vai, saiu na frente e dominou este mercado fortalecendo ainda mais a marca entre esta nova geração de roqueiros.
A banda Korn

Ainda no final dos anos 90 e começo dos anos 2000 a Ibanez decidiu investir mais na sua linha de baixos pois percebeu que os baixistas em geral eram muito mais  "cabeça aberta" para novidades do que os guitarristas e criou novos modelos, além de aumentar o time de endorsers que antes contava apenas com Gerald Veasley recebeu o reforço de Gary Willis, Doug Wimbish e da lenda da soul music Verdine White.

                  Catálogo de lançamento do baixo signature de Verdine White

Ainda na linha de baixos a Ibanez criou a refinada linha Ergodyne que possuía um design diferenciado que aumentava o conforto e facilitava a execução da técnica de slap. Outra inovação foi a construção de baixos em Luthite, material sintético e super leve que possui características similares à madeira.

Ibanez EDB Ergodyne 405

Por todos os anos 2000 a Ibanez manteve a sua posição de empresa inovadora e lançou novas versões das suas ferragens, baixos de 04, 05 e 06 cordas e todas as guitarras das diferentes séries como a RG, a S, a JEM em novas versões em diferentes linhas, desde as mais acessíveis como GRG até as super tops como a linha Prestige.

Em 2012 a Ibanez abalou o mundo das guitarras novamente com o lançamento da guitarra de 08 cordas signature dos músicos Marten Hagstron e Frederik Thordendal da banda Meshuggah que levou o peso sonoro que uma guitarra é capaz de produzir a um patamar totalmente novo.



A história da ibanez é um conto centenário de uma empresa que atravessou guerras, crises e reviravoltas do mercado mas que sempre deu à volta por cima se apoiando na criatividade, inovação e em muito trabalho que transformaram uma pequena livraria no japão em um gigante da indústria de instrumentos musicais que é hoje uma referência para músicos e artistas do mundo inteiro e num nome que vai ficar marcado para sempre na história da guitarra elétrica. 






















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A HISTÓRIA DA IBANEZ - CAPÍTULO 1


A Companhia Hoshino que originou a ibanez e até hoje administra a marca foi fundada em 1908 por Matsujiro Hoshino originalmente como uma livraria chamada Hoshino Shoten que vendia em geral livros e livros de partituras musicais.

Nessa época os instrumentos musicais eram vendidos principalmente através das lojas de varejo de editoras de livros musicais, uma vez que  para tocar as partituras você precisaria de um instrumento, logo fazia todo sentido. Matsujiro Hoshino foi substituído na presidência da empresa por seu filho Yoshitaro Hoshino. A partir de 1929 a Hoshino começou a importar para o japão as guitarras espanholas (violões) da marca Salvador Ibañez e Hijos, uma companhia estabelecida em Valencia.




 Em 1935 a Espanha passava por momentos políticos e econômicos difíceis que vieram a no ano seguinte resultar na guerra civil espanhola; por conta disso os carregamentos dos violões Ibañez Salvador não estavam chegando no Japão e os estoques da Hoshino estavam escassos. Por conta disso, a Hoshino decidiu investir numa produção própria de guitarras para abastecer o mercado japonês. Começou fabricando violões sob o nome Ibañez Salvador e depois, uma vez que já havia comprado os direitos da marca da empresa espanhola, reduziu o nome para somente Ibanez. As fábricas da Salvador Ibañez na espanha foram completamente destruídas durante a guerra civil, e foi assim que definitivamente a Ibanez se transformou numa marca japonesa.

E durante este período que vai de 1929 até 1939 a produção da Ibanez se fixou em continuar fabricando os mesmos modelos clássicos de violão que a Hoshino "herdou" da Ibañez Salvador para abastecer o mercado japonês e também para os mercados asiáticos vizinhos, o que mostra um detalhe importante da história da ibanez que é a importação de seus produtos que a Ibanez faz desde seu começo como marca.

Mas a história dá uma reviravolta com o evento que mudou tudo: a Segunda Guerra Mundial !


É sabido na história dos instrumentos musicais que durante a guerra em praticamente todos os países que participaram dela que a fabricação de instrumentos e de vários outros artigos que não eram de primeira necessidade foram interrompidos; mas os eventos de durante a guerra não tiveram uma influência tão direta no destino da Ibanez como os eventos que se seguiram após a Grande Guerra.

Três fatores foram fundamentais para estabelecer o caminho pelo qual a ibanez iria seguir nas próximas décadas. Por um lado os eventos que levaram à guerra e os seus subsequentes estragos tiveram um grande impacto sobre os destinos da família Hoshino e o seu triunfo com as guitarras ibanez; todas as fábricas existentes foram destruídas e todos os 04 filhos de Yoshitaro Hoshino serviram na guerra, por sorte, todos conseguiram voltar vivos. Por outro lado, a ordem econômica que emergiu depois de 1945 pôs o mundo num caminho inexorável em direção ao comércio global. E por fim, a guerra desencadeou o Baby Boom com o seu monstruoso mercado consumidor. E foi por volta de 1972 que o resultado da combinação destes 03 fatores fez do mercado americano o lugar certo para a Hoshino.

Mas por enquanto vamos ficar no Japão; depois da guerra várias empresas, incluindo a Hoshino reconstruíram os seus negócios e uma nova leva de empresas se juntou à onda. A Hoshino tinha a vantagem de já ter experiência com exportações, porém, na maior parte dos anos 50 as guitarras feitas no japão ficavam no japão. Enquanto isso, nos estados unidos os primórdios do rock and roll começaram a inspirar a juventude a comprar guitarras...e as empresas americanas estavam começando a não dar conta.


Em 1957 a Hoshino Gakki produziu o que pode ser considerada a sua primeira guitarra elétrica. Nesta época a Hoshino já tinha conseguido reestabelecer o seu negócio de exportações mandando instrumentos e acessórios para vários pontos da Ásia e até para os Estados Unidos (principalmente palhetas).  Como várias fábricas japonesas na época nem toda guitarra que saia da fábrica tinha o nome Ibanez no headstock, uma vez que para atender os seus clientes internacionais eles fabricavam instrumentos sob várias outras marcas. 

Jumpei Hoshino é o segundo a esquerda na antiga sede da Hoshino Gakki

No final dos anos 50 Yoshitaro se aposenta e o seu filho Jumpei assume a presidência da empresa. Em 1962 Jumpei Hoshino decidiu colocar todas as marcas de guitarras produzidas por eles sob o nome Ibanez e apesar de a companhia ainda fabricar guitarras com as marcas de seus clientes, a Ibanez passou a ser a marca principal. Para estabelecer esta união ele inaugurou uma nova fábrica para construir guitarras e amplificadores sob o nome de Tama Seisakusho Inc., isso mesmo, a hoje mundialmente famosa marca de baterias TAMA começou como uma fábrica da Ibanez e outra curiosidade é que ela tem este nome em homenagem a mãe de Jumpei que se chamava TAMA e havia falecido alguns anos antes. O irmão mais novo de Jumpei, Yoshihiro assumiu a presidência do setor de produção da Hoshino Gakki.


Durante os anos 60 o Japão também sofreu uma efervescência cultural, a música dos Beatles e de outros artistas eram consumidas massivamente e a consolidação da televisão como meio de comunicação fez com que Yoshihiro se tocasse que a partir daquele momento o apelo visual iria se tornar muito importante na indústria da música.

A partir de 1966 a Hoshino decidiu que a Tama Manufacturing Company iria parar de fabricar guitarras e se dedicar apenas a construção de baterias , o que acabou por desenvolver uma  das melhores marcas de baterias do mundo; a construção de guitarras passou a ser feita por fábricas parceiras sob as especificações da Hoshino. Este formato é mantido até hoje na Ibanez e uma sólida parceria foi construída entre a Hoshino e a fábrica Fujigen Gakki para estabelecer a qualidade das guitarras Ibanez.


E foi em 1971 que Yoshihiro Hoshino decidiu dar uma reviravolta no seu mercado de exportações e fazer o que ninguém estava fazendo no japão na época que era diminuir o número de distribuidores dos seus produtos dentro de cada região. Antes desse período tanto a Ibanez como outras empresas japonesas tinham dezenas de distribuidores, cada um com a sua visão particular do negócio e buscando sempre competir em preço. Outro detalhe era que com tantos canais de distribuição ficava muito difícil fazer um controle eficiente que garantisse a qualidade dos produtos. 

Yoshihiro Hoshino atual presidente do Hoshino Gakki Group

Para conseguir chegar lá a Ibanez criou o que eles chamaram de "agências" de distribuição, ou seja, empresas que seriam responsáveis exclusivamente por promover e dar assistência exclusiva aos produtos da Hoshino, estas agências seriam abertas em cada um dos principais mercados exportadores que a Hoshino trabalhava.


O empreendimento foi adotado com sucesso na Europa e o próximo alvo era o mercado americano. Chegar nos Estados Unidos seria um desafio, eles teriam que cortar o fornecimento dos diversos distribuidores que já trabalhavam com a Hoshino e unificar (mais uma vez) todas as marcas que eles produziam sob o nome Ibanez, mas o mais difícil seria encontrar uma empresa com a qual eles pudessem estabelecer uma relação sólida de parceria.



Harry Rosembloom foi decisivo para a Hoshino conseguir trazer a Ibanez para os EUA


Quando os executivos da Hoshino se aproximaram de Harry Rosembloom dono da Elger Company, uma empresa que tinha uma loja de instrumentos e que também fabricava guitarras eles não esperavam ouvir o conselho que receberam uma vez que os outros possíveis distribuidores pareciam só conhecer uma única palavra: preço, preço, preço. Mas Harry fez diferente e disse: "Porque você não fazem guitarras melhores? tenho certeza que as pessoas pagariam mais por uma guitarra melhor" e isso era exatamente o que a Ibanez queria ouvir. Depois de intensas negociações foi fechada a parceria e a Elger company passou a distribuir os produtos da Ibanez nos Estados Unidos. Cerca de 10 anos depois a família Hoshino entrou como sócia da Elger company que se transformou na Hoshino U.S.A.


Este período dos anos 70 coincidiu com a chamada "copy era" ou era das cópias em que várias marcas invadiram o mercado com guitarras, violões e baixos baseados nos modelos clássicos da Fender, Gibson, Martin e Guild entre outras.




Um detalhe muito importante é que a Elger Company como era também uma fábrica de guitarras e tinha todo maquinário ela serviu no começo para revisar todos os instrumentos que chegavam do japão antes de mandá-los para as loja e realizar a assistência técnica nos Estados Unidos. Isto se mostrou um grande diferencial de qualidade pois nenhum outro instrumento importado fazia esta regulagem quando ele chegava ao destino e além do mais, nesta época até os grandes fabricantes estavam um pouco negligentes com relação à qualidade uma vez que elas estavam sob o comando de grandes conglomerados da comunicação que não entendiam muito bem do negócio de instrumentos musicais e suas necessidades específicas, isso deu uma grande vantagem competitiva à Ibanez.



No vídeo acima vocês podem ter um panorama bem geral de como eram as Ibanez antigas.

Durante todos os anos 70 as Ibanez que copiavam outros modelos famosos foram se solidificando no mercado como produtos de boa qualidade e vários músicos começaram a  reconhecer a Ibanez como instrumentos que eram alternativas as marcas pioneiras mas como uma marca que se podia confiar para uso profissional. O exigente público americano estava caindo no gosto da Ibanez.

Não só a Ibanez estava fazendo ótimas cópias mas também estava começando a criar variações dos modelos tradicionais e inovações em acabamentos e ferragens. Não ia demorar muito para os primeiros modelos originais da Ibanez começarem a aparecer a série artist de guitarras com double cutway que parecia uma mistura de uma Les Paul com uma Gibson 335 com corpo sólido, veio em conjunto com a aclamada Iceman; outros designs como a Performer (inspirada na Les Paul) a Roadster (inspirada na Strato) e a série Musician de guitarras e baixos com braços inteiriços (inpirados nos baixos Alembic) apesar de serem nitidamente inspiradas em designs de outras marcas, eram diferentes o suficiente para escapar de quaisquer problemas legais.

NÃO PERCA NA PARTE 2
O COMEÇO DIFÍCIL DOS ANOS 80 E A GUITARRA QUE MUDOU TUDO, A JEM !!







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HISTÓRIA DA LES PAUL - CAPÍTULO 5

GIBSON LES PAUL 1959 - A MAIS VALIOSA !
A Gibson Les Paul Standard Sunburst original de 1959 é considerada por músicos e colecionadores como a mais desejada guitarra elétrica já criada. É difícil achar palavras para descrever o que de fato aconteceu em 59 quando os melhores elementos se juntaram para fazer este design se tornar o que algumas pessoas consideram a "guitarra definitiva”.

O vídeo abaixo mostra o depoimento de músicos e especialistas sobre a “mágica” que ronda essa guitarra.


Se vocês puderem reparar aos 0:17 do vídeo uma guitarra Gibson Les Paul sunburst em 1959 custava U$ 275,00 (duzentos e setenta e cinco dólares) e conforme dito no vídeo, se você for até o sotão da sua casa, achar um case marrom como aquele e uma velha guitarra como aquela ali dentro você pode estar U$ 400.000 (quatrocentos mil dólares) mais rico. E vale muito a pena comentar que este vídeo é de 2007, o valor da guitarra hoje chega aos U$ 750.000 (setecentos e cinquenta mil dólares).

Foram feitas cerca de 1600 (mil e seiscentas) Les Pauls em 1959. Tirando as que estão nas mãos de músicos famosos e colecionadores, os pesquisadores das guitarras já chegaram a conclusão que cerca de 1.000 destas Les Pauls não são mais possíveis de serem rastreadas; estão provavelmente destruídas e perdidas para sempre, ou ainda podem estar em sótãos, porões e garagens do mundo inteiro.

Entre os colecionadores, o consenso é geral de que não vai demorar muito para que uma Les Paul 1959 atinja o valor de 1 milhão de dólares !!! Esta possibilidade inclusive é tema do livro “Million Dollar Les Paul” de Tony Bacon que temos aqui na loja e no qual baseamos muito da nossa pesquisa para este post.

Um case como esse pode guardar dentro dele uma grande preciosidade

Ainda no vídeo, podemos ver a extrema devoção de alguns músicos à Les Paul, antes de qualquer outro, vemos o próprio Les Paul dizendo que não tem nada que ele não goste nesta guitarra, ela é como se fosse o seu cachorro, seu melhor amigo. Slash comenta que dorme com a Les Paul do lado da cama, seja em casa ou em hotéis, e não tem um dia em que não acorde pensando em como a guitarra é maravilhosa. Billy Gibbons do ZZ Top diz que a Les Paul realmente moldou o som pelo qual a banda ficou conhecida e ele acha importante dar todo o crédito possível a este instrumento.

Slash também comenta o fato de que ele, por ser, um cara “da antiga” sempre foi apaixonado por Les Pauls, e na época da ascensão do Guns n’ Roses ao sucesso ele era talvez o único cara que estava usando uma destas que guitarras, uma vez que o modelo estava um pouco fora de moda no final dos anos 80 e começo dos 90.


Segundo o relato do colecionador Ronny Proler mostrado no vídeo outro fator que torna a 1959 tão especial é o tampo em Maple, pois nenhum deles é igual ao outro, todos são diferentes e é como se cada guitarra tivesse uma impressão digital.


A Les Paul, desde que foi lançada em 1952 sofreu algumas alterações que fizeram dela a guitarra que era em 59 e continuou sendo até hoje; primeiro a ponte Wraparound foi trocada pela tune-o-matic em 55, em 57 apareceram os captadores humbuckers e no final de 1958 o toque final: a pintura sunburst!

A pintura sunburst era muito comum para a Gibson na época que já usava este padrão nos seus violões, e segundo o relato do ex-presidente da Gibson Ted MCcarthy publicado no prefácio do livro “The Beauty of the Burst” de Yasuhiko Iwanade o primeiro protótipo da Les Paul era na cor sunburst e foi o guitarrista que deu nome a guitarra Lester William Polfus (Les Paul) quem sugeriu que o acabamento fosse dourado na época (a famosa gold top).


Ao retornar ao sunburst em 1958 a Les Paul estava pronta para conquistar o mundo e foi pouco a pouco caindo no gosto de diversos guitarristas e que hoje são ícones da música como, Keith Richards, Eric Clapton, Billy Gibbons, Paul Mccartney e muitos outros, o que ajudou a aumentar o vínculo que o público sentia com aquela guitarra.



Keith Richards
                                                                       Billy Gibbons
Eric Clapton


Um dos músicos que mais ajudaram a construir o mito que é a Les Paul 59 com certeza é Jimmy Page que construiu quase toda a sua carreira com o Led Zeppelin em cima do som matador da Les Paul. Mas vamos falar mais especificamente de Jimmy Page um pouquinho mais a frente.




O vídeo abaixo é uma rara oportunidade de ver uma Les Paul 59 original em todos os seus detalhes, o dono desta guitarra não é ninguém menos do que Larry Dimarzio, criador da Dimarzio Pickups.



Larry Dimarzio mostra duas curiosidades muito interessantes sobre a guitarra, uma é sobre os captadores; a Gibson lançava os captadores todos com nickel cover (capa) e alguns músicos nos anos 60 descobriram que se tirando a capa deixava-se o captador com um timbre mais “ardido”, ou seja, um pouco mais agudo e mais agressivo.

Abaixo do nickel cover os captadores tinham o seu acabamento plástico todo preto. Segundo o livro “The Beauty of the Burst”, em 1958 o fornecedor de plástico da Gibson fez uma ligação dizendo que estava  sem estoque do plástico preto e perguntou se poderia mandar um plástico creme no lugar; uma vez que eles ficariam escondidos em baixo da capa, os engenheiros da Gibson não viram problema em mudar a cor, e esta nova remessa de capas creme foi misturada com algumas sobras que a fábrica tinha do plástico preto criando o captador que ficou conhecido como Zebra. Ao retirar a capa os músicos ficaram impressionados com como a guitarra ficava bonita assim e segundo alguns, soava melhor.




Esta característica ajuda aos peritos a determinar o ano da guitarra; alguns dos antigos zebra, hoje já ficaram completamente desbotados e todos brancos, são os chamados “Double whites”

A outra curiosidade é sobre a pintura, que ele mostra abaixo do pickguard a pintura original cherry sunburst.

O efeito de degradação natural que estas guitarras sofreram ao longo dos anos e o desbotamento do Cherry sunburst natural criou uma série de novos padrões de cores que hoje são reproduzidos por diversas empresas, inclusive a Gibson, como o Honeyburst, Teaburst e Lemon Drop. O estudo dessas cores se tornou uma especialidade própia e é o tema do livro “The Beauty of the Burst” de Yasuhiko Iwanade.

Todo o interesse que a Les Paul 1959 gera entre músicos, colecionadores e apaixonados da guitarra fizeram com que a Gibson se dedicasse a entrar fundo na pesquisa destes modelos na tentativa de recriar a mágica de 1959.

A pessoa responsável por esta pesquisa é Edwin Wilson, historic manager que ao longo dos anos já visitou e revisitou dezenas de músicos e colecionadores e avaliou minuciosamente cada uma de suas guitarras. Por conta de suas pesquisas a Gibson pode colocar no mercado diversos relançamentos como a série Collectors Choice, a Paul Kossof 1959 Les Paul Standard, a Billy Gibbons “Pearly Gates” e as famosíssimas Les Paul Jimmy Page “Number One” e “Number Two”.

Beto Laureano & Edwin Wilson

Antes de entrar na história de Edwin Wilson vamos abrir um parênteses para o relato do Prof. Beto sobre seu encontro com este pesquisador das guitarras.

“Estava eu na fábrica da Gibson Custon algo inacreditável até hj, quando ouvi aquele nome "Ed Wilson" pensei...impossível ser ele!?!? O abordei assim que tive chance quando ele falava para nosso grupo sobre madeiras e perguntei: Você não é o cara  do livro "The Million Dollar Les Paul" que mexeu na guitarra do jimmy page ? ele sorriu sem graça e disse "Yes, it´s me" ( Sim, sou eu ). Quando ele confirmou foi demais, fazendo mais especial ainda aquele momento!!!"

Edwin Wilson tem uma história curiosa; como Historic Manager da Gibson ele é responsável por estudar os modelos mais antigos e está acostumado a tomar um cuidado extremo com os instrumentos que manuseia da mesma forma que historiadores têm com peças de museu, uma vez que os donos desses instrumentos chegam a ser neuróticos com a preciosidade que tem nas mãos. Isso até ele visitar Jimmy Page; Edwin estava prestes a ter nas mãos uma guitarra que não só é rara por ser uma 59, mas que pertenceu e moldou a carreira de um dos músicos mais fantásticos de todos os tempos. A Jimmy Page Les Paul “ Number One”

Foto da Les Paul Jimmy Page “Number One” original

Edwin diz: “Bom, eu preciso começar, devo usar luvas ?”

E Jimmy Page responde: “Não, tá tudo bem”

E Edwin continua: ”Eu posso puxar pra fora os captadores?”

E Jimmy Page com a sua tranquilidade natural diz: 
“Pode tirar, faz o que quiser”

Visualização interna do captador de uma 1959, esta não é a de Jimmy Page

Wilson ficou surpreso e feliz com isso, e por causa dessa atitude ele acabou descobrindo o que faz da Les Paul de Jimmy Page a guitarra mais legal de todos os tempos, é que o músico que a empunha sabe muito bem o que ela é, Jimmy Page sabe que a guitarra é uma ferramenta para ele, não é uma coisa que ele pendura na parede, ele se expressa e se relaciona com aquela guitarra e isso faz dela única por que ela tem uma história.


Essa história curiosa é narrada na introdução do livro “Million Dollar Les Paul – In Search of the most valuable guitar in the world” de Tony Bacon. Depois desse encontro e de muitos outros a Gibson Custom Shop lançou réplicas perfeitas de algumas guitarras de Jimmy como a “Number One” e a “Number Two” cuja original é uma 1959 que foi modificada pelo próprio Jimmy Page.




Gibson Custom Shop Les Paul Jimmy Page “Number Two”

E não é só Jimmy Page que tem uma carreira toda construída em conjunto com uma Les Paul 1959. No vídeo abaixo o guitarrista original do Whitesnake Bernie Mardsen mostra a sua Les Paul 1959 carinhosamente apelidada de “The beast” e que o acompanhou em toda a sua carreira.


Bernie conta no vídeo que ele tem esta guitarra desde 1974 quando um cara que havia produzido um show no The Marquee onde ele estava tocando afinou a guitarra; entregou na mão dele e disse, “usa ela no bis”..., de cara Bernie já disse que não podia pagar mas mesmo assim ele ligou a guitarra e ela era estupenda; quando Bernie saiu do palco ele perguntou pro cara " Quanto você quer mesmo por ela?" e o cara queria bastante dinheiro, cerca de 600 libras.

Ele acabou fazendo um trato com o cara, perdeu algumas guitarras que ele gostava muito na época, mas olhando pra trás agora ele ainda acha que fez um bom negócio.

A primeira vez que ele usou esta guitarra profissionalmente foi com a banda Wild Turkey, e a primeira vez que apareceu com ela na Tv com ela foi com Cozy Powell.

Esta guitarra aparece nos vídeos do Whitesnake e em todas as músicas que ele gravou com a banda, e mais, ele cômpos o clássico "Here I go again" com esta guitarra.

Bernie Mardsen com a The Beast nos tempos do Whitesnake

Ou seja, a “The Beast” tem uma ligação extremamente forte com toda a sua carreira profisional.

Segundo Bernie, não existe muito o que dizer sobre esta guitarra, ela é o que é, nas palavras de Joe Bonamassa: "essa guitarra é doente" e Bernie conta que em 2011 ele deixou Joe Bonamassa tocar essa Les Paul num show em Hammersmith e foi a primeira vez que ele a ouviu no palco sem que ele estivesse tocando e essa experiência fez com que ele concluísse o que várias pessoas já diziam a anos de que a "The Beast" é realmente excepcional.

E essa é uma guitarra com muita história, ele diz, Gary Moore uma vez pediu a guitarra "emprestada, Bernie disse não porque sabia que ela não ia voltar, brinca.
Uma vez Jeff Beck tocou essa guitarra num camarim, "muito melhor do que eu " diz Bernie e ainda complementa brincando que “isso é coisa que não se esquece”. Steve Lukather tocou esta guitarra, entre muitos outros diz ele.

E finaliza dizendo esta guitarra foi onipresente em toda a sua carreira, desde que ela chegou as suas mãos em 1974, nunca mais saiu.

E a história da 59 não para por aí, existem dezenas de outras peças que criaram a sua própria fama como a guitarra de Billy Gibbons do ZZ Top chamada de “Pearly Gates” da qual a Gibson fez também uma réplica.

Um dos mais recentes lançamentos de réplicas da Gibson é a 1959 Joe Perry Les Paul



Foto da Les Paul de Joe Perry original tirada do livro “The Beauty of the Burst”

Dentre todas as grandes 1959 Standards originais que estão por aí – e não são muitas – a Les Paul de Joe Perry já foi, a um bom tempo, considerada uma das melhores. Esta guitarra de número de série 9-0663 parece que ficou ainda melhor com a experiência acumulada em anos de shows e gravações.

E tão impressionante quanto o timbre é a história das idas e vindas desta guitarra pelas mãos de Joe Perry . Slash, Billy Loosigian e Eric Johnson, todos já foram donos da 9-0663 ao longo dos anos dando voltas que seguiam os altos e baixos da carreira do Aerosmith. Uma vez que Joe Perry decidiu retomar a sua mais amada guitarra, foram anos de busca, vários telefonemas e muitos “quase”,ele conseguiu finalmente que a guitarra retornasse as suas mãos.

Réplica custom shop da Les Paul 1959 Joe Perry

Uma curiosidade muito importante sobre esta guitarra é que no período em que esteve nas mãos de Slash o guitarrista a usou para gravar a épica cena do solo no clipe de “November Rain” no deserto. 


                     Reparem no desgastado abaixo do knob de volume
A edição limitada Custom Shop Les Paul Joe Perry consiste de 50 guitarras envelhecidas e assinadas pelo artista, 100 guitarras envelhecidas e 150 com o acabamento VOS da Gibson.

Slash conferindo as réplicas assinadas por Joe Perry no showroom Gibson de Beverly Hills

A 1959 é sem dúvida nenhuma a guitarra mais visada de todas as vintage, muitos músicos e colecionadores têm a cada ano que passa reconhecido o valor e a mágica das 1959 enquanto as originais que restam vêem os seus preços subirem cada vez mais. Pelo seu valor histórico, ela é o marco na evolução das les paul, tanto que pouca coisa mudou, pela pouca quantidade de guitarras inteiras disponiveis hoje não há duvida que essas guitarras alcançarão o valor de um milhão de dolares, algumas delas como as supracitadas valem muito mais do que isso!




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